Por que sangrar o coração assim?

Uma das maiores realizações que se espera da vida é a paixão, um encontro amoroso “intenso, pleno. O problema é que não temos segurança dele. Quanto mais me apaixono, maior o risco de me iludir. A paixão _do grego pathos, que designa a situação em que sou passivo (em oposição à ação) e minha razão fica inibida_ não é boa juíza de caráter ou de relações. O encontro emocional intenso pode dar errado. Sua base pode ser frágil.

Por isso, parece necessário cada pessoa construir o sentido de sua vida (seu “eixo”) sozinha, e balizar a relação com o outro por essa prévia definição pessoal. (…) A mídia fala muito em paixão e pouco em amor. O amor sempre aparece como algo menor que a paixão. O coração não dispara. Parece coisa de velho.

Não assitimos a histórias de amor, só de paixão. Talvez esteja na hora de começarmos a contar histórias de amor, não só de enganos. Aprendemos a viver escutando narrativas. É hora de pensar que ‘foram felizes para sempre’ só é possível com o amor, não com o fulgor passional.”

Trecho do artigo A insuportável liberdade do amor, de Renato Janine Ribeiro, professor de Ética e Filosofia Política na USP

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